segunda-feira, 23 de março de 2015

A importância da arte para as crianças pequenas

Desenhar, pintar com os dedos, brincar com massinha ajudam (e muito) no desenvolvimento das crianças

Reportagem de Gabriela Stocco

Foto: Aline Casassa
Foto: Uma criança que desenha 15 minutos por dia chega à escrita mais facilmente
Uma criança que desenha 15 minutos por dia chega à escrita mais facilmente




Toda criança gosta de desenhar, certo? Com lápis de cor, tinta guache ou na areia, os pequenos de todos os países, épocas e classes sociais desenham suas casas, famílias e plantas, e, depois, mostram o resultado, orgulhosos, mesmo que sejam apenas alguns rabiscos. Desenhar é uma característica importante do ser humano. Tudo começou na época em que o homem vivia nas cavernas e passou a desenhar nas paredes os animais e as atividades que faziam parte de sua vida. "Indo ou não à escola, é natural que uma criança desenhe, porque o desenho já existia antes mesmo da criação da escola", explica a neurocientista e antropóloga Elvira Souza Lima.
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Como contribuir para essa importante fase de formação da criança


As crianças que vivem em tribos e até mesmo as que tem deficiências visuais desenham, já que fazer traços com um lápis ou com o dedo e um pouco de tinta estimula o tato. Elvira Souza Lima afirma que mesmo que o desenho pareça um rabisco, para a criança, é uma narrativa, uma forma de contar uma história. Além disso, o movimento que as mãos e braços fazem ao desenhar são muito importantes para treinar o corpo e o cérebro para a próxima etapa: escrever.

A escrita nada mais é do que desenhar letras e juntá-las em palavras para criar significados. "Para escrever, usamos 21 áreas do cérebro, e algumas delas são desenvolvidas com o desenho", afirma Elvira. "Uma criança que desenha por 15 minutos todos os dias chega às letras naturalmente, já que o movimento para fazer uma letra de mão (letra cursiva) ou de forma (letra bastão) vem do desenho", ela diz.

Assim, uma criança que desenha bastante pode evitar dificuldades com a caligrafia quando estiver aprendendo a escrever. Mas Elvira alerta que as crianças não precisam parar de desenhar para aprender a escrever. As duas atividades podem continuar lado a lado. Ela destaca que, para desenvolver os movimentos que ajudam na escrita, a melhor escolha é o desenho livre. Ligar pontos, preencher ou colorir desenhos prontos é divertido e pode fazer parte das brincadeiras das crianças, mas é importante que ela treine seus próprios traços livres, com retas e curvas.

Brincar com massinha de modelar, argila e criar esculturas com sucata também é importante, pois ajuda a desenvolver a noção de espaço e profundidade. Elvira sugere que, pelo menos uma vez por semana, a criança brinque com algo relacionado à geometria espacial, como fazer castelinhos com bloquinhos de madeira ou montar cenários com caixas de sapato para a historinha de seus bonecos.

No Colégio Hugo Sarmento, em São Paulo, as artes plásticas, como desenho, pintura e escultura, fazem parte do currículo desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Segundo Patrícia Vasconcellos e Rosana Nunes, coordenadoras da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I do colégio, as expressões artísticas de diversas culturas, como arte indígena, africana e grega, são destacadas. A vida e a obra dos artistas também despertam interesse nos alunos e inspiram suas próprias produções.

"A arte, ao longo da vida estudantil, tem um papel fundamental na construção de um indivíduo crítico, fornecendo-lhe experiências que o ajudem a refletir, desenvolver valores, sentimentos, emoções e uma visão questionadora do mundo que o cerca", afirmam as coordenadoras.

Já a artista e educadora Stela Barbieri destaca: "Para as crianças não existe separação em os campos da arte, como música e pintura. Elas percebem o mundo com todos os sentidos". Para ela, que é assessora de artes da escola Vera Cruz, em São Paulo, e foi curadora das ações educativas da Bienal de Arte de São Paulo, a relação da criança com a arte não acontece apenas na escola. Ela explica que a criança participa de situações em que a relação com a arte acontece naturalmente, como conhecer as texturas em uma feira e os aromas na cozinha, ou brincar no quintal. "O contato com a arte não precisa ser apenas escolarizado", diz.

Como seu filho pode explorar as artes plásticas em cada idade:


De zero a dois anos
O desenho é um processo natural da espécie humana, mas não adianta tentar apressá-lo. Nessa fase o bebê ainda não desenvolveu a visão e a coordenação motora suficientemente para desenhar. No entanto, os pais podem desenhar para a criança e explicar os significados a ela, já que o contexto é importante para atrair sua atenção. Tenha lápis e giz de cera mais gordinhos em casa para quando seu filhote começar a mostrar a vontade de desenhar. Tenha cuidado com objetos pequenos e pontiagudos e tenha apenas materiais atóxicos.

De três a seis anos

Essa é a fase em o desenho é mais importante para as crianças. A diversidade de materiais é muito importante. Tenha em casa vários tipos de papeis, de vários tamanhos, cores, formatos e texturas. Papeis grandes, no formato A3, dão maior possibilidade de movimento para as mãozinhas. O papel craft (ou pardo) tem textura diferente, mais áspera, e pode ser pendurado na parede. O lápis de cor é prático e faz menos sujeira, mas é duro. Materiais mais maleáveis, como aquarela, tinta guache, pincéis ou mesmo pintura com os dedos permitem movimentos diferentes e devem ser mais usados. Desenhar em suportes diferentes, como areia, terra ou tecido também ajuda a treinar os movimentos. Fazer colagens com sementes, pequenos galhos e folhas secas pode ser muito divertido e coloca a criança em contato com a natureza. Massinha de modelar, argila podem render esculturas que serão boas lembranças. Ao fazer brinquedos de sucata com seu filho, aproveite para explicar a importância da reciclagem para o meio ambiente.

A partir do seis anos

Quando a criança é alfabetizada, vai usar tudo o que aprendeu com os desenhos para escrever as letras. Mas ela não precisa e nem deve parar de desenhar. Os desenhos agora ganham outro significado. A criança pode ouvir uma música ou ler um livro sem ilustrações e, em seguida, fazer desenhos para mostrar como imagina os personagens e os cenários. Ela também pode ter um caderninho de desenho, onde cria suas próprias histórias, personagens ou histórias em quadrinhos.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Especialista indica 10 filmes para estimular empatia

Brady Norvall, coach de vida educacional, indica obras que podem ser usadas para trabalhar a percepção do outro

Filmes, livros e histórias são ferramentas importantes para estimular a imaginação. Mergulhar em histórias que não fazem parte de nossas vidas nos ajudam a entrar na pele de outra pessoa e ver o mundo a partir da perspectiva dela. Em outras palavras, o cinema pode nos ajudar a desenvolver empatia, como explica o especialita norte-americano Brady Norvall. “Isso [a experiência do cinema] desenvolve a empatia e melhora a nossa percepção do outro. Os jovens precisam ser capazes de se comunicar efetivamente sobre suas emoções, sentimentos e medos. É importante mostrar histórias de outras pessoas que fizeram coisas diferentes e se deram bem, assim como exemplos que podem nos inspirar.”
Norvall é especializado em coaching de vida educacional, ajudando jovens estudantes a planejar um futuro bem sucedido – o que, para ele, não necessariamente significa estudar em uma grande universidade e está muito mais relacionado à questões como a habilidade de desenvolver empatia. (Leia a matéria completa sobre o coach que questiona como é medido o sucesso dos jovens nos dias atuais). Apesar de parecer simples à primeira vista, desenvolver a habilidade de compreender o outro está na lista de competências demandadas para o século 21 e que deveria, inclusive, ser desenvolvida na escola, como aponta o National Research Council, a organização norte-americana que faz pesquisas sobre temas importantes da sociedade para ajudar governos a desenharem políticas públicas, reunisse especialistas para definir quais são essas competências.
crédito wojtek / Fotolia.comEspecialista indica 10 filmes para estimular empatia
Em suas consultorias, Norvall costuma indicar para os estudantes uma lista de documentários e filmes que estimulam essas habilidades, como o filme Intocáveis que ilustra a diferença entre empatia e compaixão e O Labirinto do Fauno que mostra a força e o poder da imaginação na vida de uma criança. Dentre a extensa lista, o Porvir selecionou 10 obras, mantendo a variedade de assuntos e perspectivas e os comentários de Norvall. Confira:
Documentários
1. Os Tempos de Harvey Milk, de Rob Epstein.
Relata a vida e carreira de Harvey Milk, político e ativista gay norte-americano que foi assassinado em 1978. “Um olhar interessante sobre a história de um dos mais importantes ativistas de direitos humanos que, provavelmente, você nunca ouviu falar.”
2. Uma verdade Inconveniente, de Davis Guggenheim.
Mostra a campanha do ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore que tinha como objetivo educar os cidadãos do mundo sobre a questão do aquecimento global. “Assista por nenhum outro motivo a não ser ajudar a ampliar a consciência e entender melhor como cada um de nós, todos os dias, contribuímos para a mudança do mundo.”
3. Blackfish, Fúria Animal, de Gabriela Cowperthwaite.
O documentário investiga o histórico dos shows com baleias orca nos Estados Unidos e as condições dos cativeiros onde os animais são mantidos. “É importante assistir para que cada pessoa reconheça e entenda que divide um planeta com uma série de outras espécies.”
Filmes

4. Kundun, de Martin Scorcese.
Desde a infância até a idade adulta, o décimo quarto Dalai Lama, líder político e espiritual do Tibet, lida com a opressão chinesa que pretendia tomar posse da região. “O filme mostra exatamente porque o líder possui essa força tão grande, devido sua visão de mundo e poder que devem ser reconhecidos.”
5. O Labirinto do Fauno, de Guillermo del Toro.
Na Espanha fascista de 1944, a estudiosa jovem enteada de um sádico oficial do exército escapa para um mundo de fantasia estranha, mas cativante. “A imaginação é poderosa. Faça tudo que puder para promover a imaginação das crianças ao seu redor.”
6. Sobre Meninos e Lobos, de Clint Eastwood.
Após uma tragédia na infância obscurecer suas vidas, três homens se reencontram quando um deles perde sua filha. “É sobre viver em comunidade, as raízes e as experiências que temos, como o tempo nos molda e como as vezes as pessoas perder perspectiva quando eles não têm outros para apoiá-los.”
7. Infância Roubada, de Gavin Hood.
Narra os seis dias da vida de um líder de uma gangue de Johanesburgo, África do Sul, que furta o carro de uma mulher sem saber que o bebê dela está no banco de trás. “A pobreza e as dificuldades em crescer nesse cenário e o poder que cada escolha que tomamos têm em nossas vidas são abordadas nesse filme.”
8. Cidadão Kane, de Orson Welles.
Baseado na vida do magnata William Randolph Hearst, homem que construiu um império dos meios de comunicação a partir do nada, mas que vivia uma vida pessoal extremamente turbulenta. “O melhor filme de todos os tempos! E o mais inteligente também. Pense sobre isso: o que a grande riqueza e podem alcançar?”
9. Cidade de Deus, de Fernando Meirelles.
Retrata o crescimento do crime organizado na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro,  entre o final da década de 1960 e o início da década de 1980. “É uma assustadora ilustração do poder da pressão econômica e social, mas também mostra a natureza redentora da arte e das boas escolhas.”
10. Intocáveis, de Olivier Nakashe e Eric Toledano.
Um acidente de paraquedas deixa um milionário aristocrata tetraplégico e ele contrata um jovem recém saído da prisão para ser seu cuidador. “Um filme derradeiro que ilustra a diferença entre empatia e compaixão. É uma maravilhosa lição para todos que assistirem.”

Química na escola seria bem mais interessante se fosse ensinada desse jeito

Para a maioria das pessoas, as aulas de química foram entediantes e não passavam de uma decoreba de fórmulas malucas. Infelizmente, o método utilizado pelos professores não despertava a atenção e a compreensão dos alunos, que passavam a não gostar da matéria por não conseguirem enxergar como a química realmente funciona. Pensando nisso, foi criado o projeto ”Beautiful Chemistry“ (“Bonita Química”, em português), que procura mostrar a química de uma forma mais acessível e interessante para o público em geral.
O projeto é uma nova colaboração entre a Tsinghua University Press e a University of Science and Technology of China. Um dos primeiros vídeos do projeto mostra uma variedade de reações químicas filmadas a partir de uma câmera 4K UltraHD. As imagens são incríveis e não nos deixam tão confusos como os habituais tubos de ensaio e equipamentos de laboratório.
Definitivamente, esses vídeos iriam facilitar nossas vidas nas aulas de química! O vídeo abaixo foi filmado e editado por Yan Liang, dá uma olhada:
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Todas as imagens via Beautiful chemistry
Para saber mais sobre o assunto, clique aqui.
Site Hypeness

Projeto usa arte para lidar com diferenças

Portal Carlotas irá oferecer atividades para que os professores trabalhem imperfeição, respeito e empatia na escola
Figuras desproporcionais, cabelos diferentes e peles coloridas. Com desenhos que fogem do comum, a artista plástica Carla Douglass utiliza a arte como ferramenta para lidar com as diferenças. Após percorrer por diferentes instituições de ensino para levar o mundo de Carlotas, um lugar onde todos são imperfeitos, a ideia agora é desenvolver o projeto de um portal com recursos para educadores trabalharem os temas imperfeição, respeito e empatia. Tudo isso com uma linguagem lúdica e bem humorada.
Os conteúdos serão direcionados para crianças e adolescentes, com faixa etária entre 6 e 18 anos. Em uma área exclusiva, os educadores terão acesso a vídeos explicativos e materiais para download. Em cada atividade, eles poderão contar com um roteiro de apoio que indica os objetivos da proposta, desenvolvimento e idade recomendada, sempre respeitando a autonomia do professor para criar em cima das atividades.
Carla Douglass
“As pessoas sempre buscam a faculdade perfeita, o emprego perfeito. A gente tenta viver em um mundo perfeito”, afirma Carla. Segundo ela, ao utilizar imagens imperfeitas para descontruir essa idealização, é possível abrir espaço para que os alunos sejam pessoas muito mais cooperativas e capazes de aceitar o outro. “Eles se transformarão em adultos livres de censuras e dos limites impostos por uma sociedade que é focada no perfeito.”
Para Carla, o caráter lúdico da arte ajuda a transmitir a mensagem com muito mais facilidade. “É uma linguagem global e não existe uma barreira social”, pontua. Em uma das atividades por exemplo, os alunos serão estimulados a formar duplas para pintar uma folha inteira com grafite. De olhos vendados, eles deverão utilizar a borracha para criar traços e formar um desenho imperfeito. “Em uma atividade como essa, você também esbarra muito na questão do respeito. O seu traço é livre, mas vai apenas até onde começa o do outro”, explica a pedagoga Joice Risnic, ao mencionar a importância dos alunos entrarem em acordo ao dividir espaço em um mesmo papel.
O site também vai propor aos educadores a criação de um portfólio com os alunos. “Ele vai receber todas as atividades e representar a história daquele grupo se relacionando com mundo de Carlotas”, conta a pedagoga. Porém, longe de ficar arquivado em uma gaveta, a ideia é que todos os trabalhos sejam expostos. “Quando a sua arte fica exposta, ela não é mais sua. Ela se torna de todo mundo”, destaca Joice.
Divulgação
Financiamento coletivo
Para viabilizar os recursos necessários para o site, o projeto do Portal Carlotas está em financiamento coletivo no site Partio, que apoia projetos culturais. A campanha de arrecadação está dividida em três fases. Na primeira, o projeto tem até o dia 3 de outubro para arrecadar R$ 22 mil no financiamento coletivo, o que garante o desenvolvimento do portal e a disponibilização de atividades. Se atingir a meta inicial, com R$ 44 mil o portal também estará pronto para oferecer fóruns de interatividade e com R$ 66 mil uma loja virtual para vender os produtos de Carlotas. Os apoiadores podem contribuir com valores a partir de R$ 25. Cada doação terá uma contrapartida, que pode vir na forma de cadernos personalizados, ilustrações e telas exclusivas. Todos pintados pela artista plástica Carla Douglass.

Jogo on-line ajuda aprender inglês com músicas

De Beatles a Beyonce, Feel The Music reúne mais de 400 hits e auxilia estudantes do nível básico ao avançado a treinar novo idioma

O que é melhor: aprender inglês com um jogo on-line ou com a música da sua banda favorita? A startup brasileira Backpacker, que oferece soluções para o aprendizado de idiomas em ambiente virtual, uniu os dois métodos noFeel The Music (Sinta a Música, em livre tradução), um game que permite treinar habilidades de compreensão textual e auditiva de língua inglesa, ao mesmo tempo em que o jogador se diverte com os hits do momento.
No game, o usuário pode jogar sozinho ou na opção multiplayer, desafiando outros participantes. O objetivo de cada partida é preencher os trechos que aparecem em branco durante a música. Conforme as palavras são preenchidas corretamente, o jogador recebe pontos que podem ser utilizados para comprar novos hits. Ao finalizar uma música, ele recebe um relatório sobre o seu desempenho, apontando a quantidade de expressões distintas que foram acertadas.
crédito: Detelina Petkova / Fotolia.com
Segundo o engenheiro e empreendedor Caio Braz, criador da Backpacker, ao perguntar para as pessoas sobre a forma como elas conseguiram aprender inglês, as respostas mais comuns faziam referência ao uso de jogos multiplayers ou músicas. “Se as pessoas já estão aprendendo nesse formato, por que a gente não faz um jogo em cima disso?”, defendeu, ao explicar sobre a ideia que deu origem ao game.
O desenvolvimento do jogo foi baseado em conteúdos estabelecidos pelo Common European Framework for Language References (Quadro Comum Europeu de Referências para Línguas, em livre tradução), uma espécie de guia para apontar os conhecimentos que devem ser adquiridos pelos estudantes em diferentes níveis de aprendizado do idioma. Além de treinar a capacidade de compreensão auditiva, os jogadores também aprendem sobre expressões, preposições, adjetivos e verbos de língua inglesa.
No total são mais de 400 músicas exibidas em vídeos do Youtube que variam entre diferentes estilos, incluindo pop, rock, hiphop e reggae.  A lista de artistas mais tocados inclui nomes como The Beatles, Adele, Beyonce, Coldplay, Katy Perry e Bob Marley. De acordo com Braz, muitas músicas são inseridas no game a partir de sugestões dos próprios usuários. “Tem que ser divertido, mas sempre com um propósito de ensinar”, pontuou.
crédito: divulgação
Os hits também são direcionados e classificados de acordo com o nível do usuário, que pode ser do básico ao avançado. Para isso, são levados em conta alguns critérios como o tempo médio de pronúncia, o grau de dificuldade do vocabulário e a quantidade de trechos repetidos. De acordo com Braz, o aprendizado deve ser factível, ao mesmo tempo em que se torna desafiante. No momento de escolher a palavra correta, por exemplo, o jogador se depara com opções de som parecido, expressões que já foram repetidas durante a música e alternativas identificadas como as que contemplam a maior probabilidade de erros entre os usuários.
Por enquanto o game funciona apenas na versão web. Ele deve ser disponibilizado para Android e IOS durante os próximos meses.  Atualmente, o Feel The Music é completamente gratuito. Porém, a intenção é que futuramente ele ofereça alguns recursos pagos para acelerar o desbloqueio de novas músicas
Fonte: Site PORVIR

Professor precisa falar menos e provocar mais, diz educador

Fábio Mendes, autor de “A Nova Sala de Aula”, defende ensinar alunos a aprender por conta própria

Em “A Nova Sala de Aula”, Fábio Mendes, professor, doutor em Filosofia e autor de cinco livros sobre aprendizado e educação, defende que para viver em um mundo sob constante mudança é preciso formar jovens que tenham papel ativo na construção de seu conhecimento, renovando os saberes continuamente. “O mais importante é formar habilidades. Não importa a lista de conteúdos aprendidos, se a pessoa não souber aprender, ela vai acabar ficando desatualizada”, diz.
Como alternativa à tradicional aula expositiva, Fábio propõe a adoção de oficinas de estudo. Com o método, os conteúdos se tornam meio para o desenvolvimento da autonomia no aprendizado e, a sala de aula, o ambiente. Durante o processo, o professor deve apresentar o material que servirá de base para o estudo (textos ou o próprio livro didático), explicar o método passo a passo, e acompanhar a prática, orientando os alunos. Ao final, os estudantes produzem as sínteses e fazem exercícios atestando se avançaram no aprendizado.
Fábio Mendes Nova Sala de AulaMirko Raatz
“O ponto principal é fazer com que eles (estudantes) notem que conseguem aprender por conta própria. Não é o professor que ensina, mas eles que aprendem. Quantas aulas os alunos têm sobre como estudar? Isso não faz parte do currículo escolar. E quantas vezes ao longo da vida escolar demanda-se que eles estudem? Você se motivaria a fazer uma atividade que não te dizem como fazer e te cobram o tempo todo?”, questiona o autor em entrevista ao Porvir.
Em um mundo no qual os jovens estão o tempo todo em atividade, criando e avaliando conteúdos, Fábio defende que é preciso colocá-los para produzir. A lógica do estudo é quase a mesma das postagens nas redes sociais, arrisca.
Confira abaixo a íntegra da entrevista concedida por telefone:
Porvir – No livro “A Nova Sala de Aula”, você defende que é preciso dar autonomia aos estudantes no processo de aprendizado para que eles desenvolvam a capacidade de construir o próprio conhecimento e consigam lidar com os desafios do nosso tempo. Como o método das oficinas atua para atrair os interesses dos alunos? O aluno desmotivado se interessa por leitura, interpretação de texto e anotações?
Fábio Mendes - Os alunos estão desinteressados, porque eles não conseguem notar no dia a dia da escola que eles produzem algo e que eles são escutados. Quando eu proponho as oficinas, a primeira questão que surge é exatamente essa. Se os alunos estão desmotivados, como vão se envolver em uma atividade na qual eles vão ter que ler, vão ter que se concentrar, vão ter que ter foco? O que faz funcionar as oficinas é, na verdade, o modo de conduzir a atividade. É essencial a movimentação do professor. Sem isso, os alunos acabam fazendo outras atividades. Se o professor mantém a circulação e conduz a oficina, com etapas muito simples, de fácil execução, esse aluno desmotivado sente que consegue fazer pequenos progressos. Eu costumo pedir para que os alunos façam uma autoavaliação anônima deles e da oficina, sobre essa atividade de tentar aprender a estudar em sala de aula. A aprovação dos alunos é massiva. Muitos comentam “por incrível que pareça, eu consegui estudar”, “o tempo passou rápido”.
Quantas aulas os alunos têm sobre como estudar? Isso não faz parte do currículo escolar.
Porvir – Há uma idade ideal ou série para iniciar as oficinas de estudo? Elas se aplicam melhor ao ensino médio do que ao fundamental?
Fábio Mendes – A oficina é uma forma de resgatar alunos que perderam a confiança de que podem gostar de estudar. É um modo despertar o interesse pelo conteúdo em alunos que estão completamente desconectados. Isso é típico de estudantes do ensino médio. Mas as oficinas podem ser aplicadas desde o 5º, 6º anos do ensino fundamental. O ponto principal é fazer com que eles notem que conseguem aprender por conta própria. Não é o professor que ensina, mas eles que aprendem. Quantas aulas os alunos têm sobre como estudar? Isso não faz parte do currículo escolar. E quantas vezes ao longo da vida escolar demanda-se que eles estudem? Você se motivaria a fazer uma atividade que não te dizem como fazer e te cobram o tempo todo? Esse é o centro das oficinas. Elas não precisam ser implantadas da noite pro dia, em todos os períodos, por todos os professores, com todos os conteúdos. Muito pelo contrário, pode ser uma aula especial que o professor propõe uma ou duas vezes por trimestre, mas que dá ferramentas para o aluno poder estudar por conta própria.
Porvir – As oficinas de estudo podem ter um horário específico na grade? Por exemplo, ao final do dia, os alunos tem uma hora de oficina de estudos? Ou a ideia é que toda disciplina, toda aula seja dada com a didática da oficina de estudo?
Fábio Mendes - O professor deve se sentir livre para aplicar quando ele achar necessário e no conteúdo que ele achar necessário. Não precisa ser frequente. Não precisa ter um horário determinado e os professores têm que ter livre adesão, até porque eles já estão cansados de coisas implantadas de cima para baixo. Eu tenho retorno de professores que adotaram como didática principal as oficinas de estudos, e, em algum momento, fazem uma explicação expositiva, normalmente, com base na pergunta dos alunos. Outros utilizam em alguns conteúdos, na introdução de um tema novo, para trabalhar de um modo diferente. Não tem uma ruptura com o dia a dia da escola. Isso é um ponto muito positivo.
Fábio MendesDivulgação
Porvir – Você faz formação de professores em como aplicar a didática das oficinas? Como é a receptividade à didática?
Fábio Mendes - Sim. O mais importante das oficinas é a mudança de perspectiva do professor. O professor se dá conta que não adianta um aluno tirar 10 em toda vida escolar, se ele sair da educação básica sem conseguir construir o seu conhecimento com autonomia. Em oito horas de trabalho, é possível dar uma formação sobre as oficinas, elas não são difíceis de serem aplicadas, são bastante intuitivas. Alguns professores, no primeiro momento, resistem: “esse guri está querendo me ensinar a dar aula?”. Mas logo depois eles veem que não estou querendo ensinar nada para ninguém, estou apresentando uma perspectiva para trabalhar dificuldades que eles enfrentam. No final, a aprovação dos professores é maior até que a dos alunos. Entre os estudantes, a avaliação positiva do trabalho não baixa de 80%. Entre os professores, está acima de 90%. Os comentários principais são “finalmente apresentaram uma proposta que pode ser aplicada no dia a dia da escola”, e “essa formação não ficou só no discurso e mostrou como trabalhar em sala de aula”.
Porvir – A oficina de estudo mantém a disposição física da sala de aula, utiliza os mesmos materiais que há séculos são as bases da escola (leitura de texto, interpretação e exercícios, papel e caneta) e não depende da tecnologia. A revolução na educação é mais simples do que se imagina?
Fábio Mendes - Essa gurizada está acostumada a durante o tempo livre, ser ativa. Na minha época (tenho 33 anos), existia a televisão, mas a gente ficava passivo diante dela. Hoje, ao navegar na internet, os alunos publicam, curtem, e compartilham, passam adiante o conteúdo. Por isso, quando entram na sala de aula, há um contraste ainda maior do que o da minha geração. A regra geral é a seguinte: para aprender, tem que escutar. “Por favor, não sejam ativos, senão isso aqui não funciona”. Eles enlouquecem. A oficina de estudos coloca o aluno para construir. Eles se interessam pela atividade que as tecnologias proporcionam. Se a gente provoca a atividade deles dentro da sala de aula com livros, eles também se interessam e muito. Eles notam que estão compartilhando conhecimento e avaliando o que os outros acharam do mesmo conteúdo.
Não importa a lista de conteúdos aprendidos, se a pessoa não souber aprender, ela vai acabar ficando desatualizada.
Porvir – Você avalia que hoje seria melhor termos um currículo mais enxuto? Como deve ser feito esse processo?
Fábio Mendes - O mais importante é formar habilidades. Não importa a lista de conteúdos aprendidos, se a pessoa não souber aprender, ela vai acabar ficando desatualizada. A reforma que precisa ser feita é muito mais didática do que curricular. Se o aluno não aprendeu a estudar por conta própria, a construir um projeto, a montar cronogramas de estudo para conduzir o seu aprendizado depois da escola, da universidade, do mestrado, do doutorado, estará despreparado para o século 21.
Porvir – Você avalia que a formação dos professores é fraca no ensino da didática?
Fábio Mendes - Em todas as formações, os professores sempre me dizem que não tiveram metodologia de estudo na faculdade. Há muita teoria na formação sobre como as inteligências são diferentes, que cada um aprende de uma forma e temos que personalizar o aprendizado, mas pouca prática. Se a gente não colocar os alunos na atividade de aprendizado, nem eles têm como saber qual tipo cognitivo eles são. Isso os professores não aprendem em sua formação. Fala-se apenas que a aula deve ser lúdica e que tem que se respeitar a diferença entre os alunos.
Porvir – Você tem uma empresa de serviços educacionais que recentemente comandou a criação de uma Mostra Científica em Nova Santa Rita (município de 25 mil habitantes, localizado a 20 quilômetros ao norte de Porto Alegre). Como foi este projeto?
Fábio Mendes - O objetivo da minha empresa, a Autonomia Soluções em Educação, é fazer projetos que desenvolvam a autonomia dos estudantes, dos professores e das escolas. Além de trabalhar com alunos sobre como estudar, como programar horários, a gente desenvolve projetos de iniciação científica, como o de Nova Santa Rita. As escolas da região nunca tiveram isso, e chegamos com o desafio de mostrar para estes estudantes que eles podem não só aprender por conta própria, como desenvolver projetos de pesquisa nos quais eles podem adquirir conhecimentos. Alguns temas foram: a saúde das pessoas do bairro, repetência escolar, relação entre namoro e estudo, o problema do lixo eletrônico, um ponto constante de alagamento próximo à escola. O trabalho durou cerca de sete meses e o resultado foi a Primeira Mostra Multidisciplinar e Feira de Iniciação Científica da cidade, com mais de 60 projetos. Isso aconteceu porque houve uma mudança de perspectiva sobre trabalhar com pesquisa e como fazer isso com ferramentas simples e acessíveis.