quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A feira do lixo é um barato

Visitamos uma feira de gestão de resíduos sólidos e descobrimos que o mercado do lixo é maior do que a maioria das pessoas pensa; conheça algumas das inovações apresentadas

Os corredores são limpos e a luz é branca, assim como as divisórias que separam os estandes e boxes onde homens engravatados e mulheres loiras de sorrisos também brancos oferecem bebidas e aperitivos. O ambiente quase não remete ao conteúdo da feira que acontece no Transamérica Expo Center, enorme galpão na zona sul de São Paulo. Não fossem os caminhões, máquinas trituradoras, ímãs e lixeiras presentes, quase não seria possível identificar que no local acontecia um evento internacional de gestão de resíduos sólidos. A feira do lixo.
divulgação rwm brasil
divulgação rwm brasil
O descarte inadequado do lixo é um grande vilão do meio ambiente e é o principal ponto da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que obriga as prefeituras brasileiras a adequarem suas gestões à maneira mais sustentável. O objetivo das empresas presentes na feira é oferecer a tecnologia para que essa meta seja alcançada.
Pela segunda vez no Brasil, a feira RWMreuniu cerca de 100 expositores durante os dias 9 e 10 de setembro. O objetivo era apresentar as novas tecnologias e soluções do setor de gestão de resíduos, em sua maioria vindas da Europa, a empresários e gestores públicos daqui e de fora. “Tem gente até da Gâmbia”, diz Jesus Gomes, o diretor da feira.
E o setor é realmente abrangente. Em cinco minutos de caminhada é possível presenciar um solidificador de chorume em ação, ver o interior de um caminhão basculante e, por um computador, acompanhar em tempo real a coleta seletiva de Jundiaí. Por todo lado, máquinas, produtos e serviços são vendidos a representantes comerciais e do poder público.
O evento chega ao país em meio a um momento de mercado agitado. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em 2010, previa uma série de medidas que deveriam ter sido tomadas pelas prefeituras brasileiras nos últimos quatro anos para que todos os lixões a céu aberto do país fossem substituídos por aterros, mas a maioria das cidades ainda destina seu lixo a locais impróprios.
Por sorte, as soluções parecem ser variadas. “Aqui o mercado é diferente”, diz Carina Arita, diretora comercial da Tomra Sorting Recycling, empresa que fabrica um separador óptico de lixo. “A legislação brasileira prevê a participação de cooperativas no tratamento dos recicláveis, mas elas não dão conta sozinhas. Nossa meta é trazer equipamentos que possam ajudá-las.”
Para a organização, o saldo da feira é positivo. “Nós percebemos que existe uma preocupação geral com o tema”, diz Jesus Gomes. “E não só com a gestão em si. As pessoas estão começando a pensar em produzir menos lixo e em utilizar o que elas já produzem para gerar energia”.
Boas ideias para o lixo
Separamos os cinco melhores produtos, serviços e invenções presentes na feira para você ter uma ideia de como foi o evento.
Solidificador de Chorume
Criado pela empresa brasileira Gerais, o pó branco chamado Ultra Solid não impressiona até que alguém demonstre como ele funciona. Seu efeito sobre líquidos é semelhante a uma esponja e seus grãos aumentam quando entram em contato com a substância que devem absorver. O produto foi pensado para solidificar líquidos ou semissólidos como água, lodo, chorume, esgotos em geral, sangue, urina e até fezes. O resultado final é uma espécie de algodão molhado e granulado, inodoro e não tóxico.
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