quinta-feira, 5 de junho de 2014

Barcos, parques, portos e até transporte público: saiba qual pode ser o futuro dos rios de SP Parte III

Reportagem de Felipe Blumen
Após a fase de articulação arquitetônica e urbanística do projeto, que criou uma rede interdepartamental de atuação, o Hidroanel Metropolitano de São Paulo caminha para uma etapa importante de implantação. Mais uma vez, o Grupo Metrópole Fluvial será responsável para acompanhar as análises que serão feitas por cada secretaria que estaria, econômica, social ou ambientalmente envolvida no projeto.
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O mapa mostra todos os trechos do hidroanel, que terá 170 km de extensão. Os tri-portos são os terminais trimodais que fariam a integração e ramificação do sistema com destinos distintos: interior do Estado, Vale do Paraíba/Rio de Janeiro e litoral. (clique na imagem para ampliar)
O problema, explica o professor Alexandre Delijaicov, é que o plano de recuperação social dos rios de São Paulo esbarra em uma mudança comportamental da sociedade que, a seu ver, parece ainda distante. “O problema dos rios urbanos não é um problema hidráulico, é um problema social”, defende. “Nosso objetivo não é que a reincorporação dos rios da cidade seja utilizada para criação de condomínios e empreendimentos comerciais, mas sim para habitações populares” afirma.
Para o professor, mudanças infraestruturais da cidade não podem mais serem feitas com o pensamento do retorno financeiro imediato nem com o beneficiamento de alguém que não seja a população. “Nada pode ser pensado a curtíssimo e curto prazo. O que temos que colocar na cabeça é que ao tornar a cidade mais acessível, aproximando moradia, escola, hospital, lazer e emprego, a distribuição de oportunidades e o uso da cidade pelo cidadão aumentariam, o que acabaria tornando o crescimento cultural, social e financeiro da metrópole ainda maior, só que de forma saudável”, elucida.

ABRE ASPAS

“O problema do rios urbanos não é um problema hidráulico, mas um problema social. Mas infelizmente é muito mais fácil mudar uma infraestrutura física do que mudar uma infraestrutura mental.”
O uso individual da cidade, na visão de Delijaicov, é uma das barreiras que precisam ser derrubadas se um dia planos como o do hidroanel quiserem ser levados a sério. “Não adianta nós ficarmos aqui tentando construir algo que pode ser usado por duas pessoas se o que dá dinheiro, e inclusive financia campanhas, é o empreendimento que é usado por um só indivíduo”, ele afirma.
Para ele, o ambiente público deve, de fato, ser público, “e não ocupado por pequenos pedaços de propriedades privadas – como são os carros”, diz com convicção, antes de concluir, “mas infelizmente as pessoas se acostumaram demais com simulacros de espaços públicos, como condomínios e clubes, e criaram um medo de olhar para as caras das outras. A mudança na infraestrutura física é a parte mais fácil de qualquer projeto urbanístico. O difícil é a mudança na infraestrutura mental.”
Fonte: Catraca Livre
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