quinta-feira, 5 de junho de 2014

Barcos, parques, portos e até transporte público: saiba qual pode ser o futuro dos rios de SP Parte I

“O problema dos rios urbanos não é um problema hidráulico, é um problema social"

Imagine que você precisa ir do extremo da zona sul até a ponta da zona leste. As opções de transporte são: carro, metrô, ônibus e barco. Qual você escolhe? Pode ser que daqui a alguns anos boa parte dos paulistanos escolha o barco. Pelo menos esse é o pensamento de um grupo de arquitetos e urbanistas que está planejando um sistema concreto (ou líquido, no caso) de transporte fluvial na cidade.
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Não se trata apenas de um novo sistema de transportes. O projeto do hidroanel compreende a reabsorção dos rios pela cidade, que passaria a usá-los de várias formas.
A ideia de rios e córregos verdes, bonitos e úteis cortando a cidade parece utópica, mas não é. Em 2009, o Governo do Estado de São Paulo contratou um estudo  para saber a viabilidade técnica para a implantação de um anel hidroviário, por meio do Departamento Hidroviário da Secretaria Estadual de Logística e Transportes. O responsável pela análise foi o Grupo Metrópole Fluvial, que pertence à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.
O grupo surgiu como parte de um laboratório de extensão curricular em que alunos do segundo ano de arquitetura passavam a estudar e planejar sistemas integrados urbanos para as cidades. O professor Alexandre Delijaicov, que coordena esses estudos, conta que os planos, na verdade, não dizem respeito apenas a um sistema de transportes, mas a um conjunto de redes que representaria toda a mudança de pensamento da cidade.

ABRE ASPAS

“Os rios deveriam ser áreas de integração e de agrupamento de pessoas, como sempre foram na história. Mas em São Paulo, os rios são verdadeiros muros que dividem regiões.”  
“Nossas primeiras sociedades nasceram nas margens dos rios”, explica. “Não fosse a criação dos canais e aquedutos, a revolução agrícola jamais teria acontecido e nós estaríamos até hoje caçando anta para comer. Não há motivo, portanto, que justifique por que cidades tão grandes e desenvolvidas como São Paulo viraram as costas para seus rios, que deveriam representar pontos de integração, mas hoje funcionam praticamente como muros, barreiras”, diz o professor.
Para ele, a infraestrutura urbana tem que representar a “conquista coletiva de um espaço”. Essa conquista deveria, por sua vez, criar uma sensação de bem estar social, e não individual. “Não importa que cada indivíduo esteja se sentindo bem por estar dentro do seu caro, em uma via expressa gigantesca. O importante é que todos nós nos sintamos bem como coletivo e como um grupo que compartilha um espaço. E por isso é fundamental que o espaço possa ser socialmente e ambientalmente aproveitado.”
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O projeto pode parecer utópico, mas tem pretensões bem concretas. Na mimagem podemos ver, em primeiro plano, uma passarela de pedestres sobre o Rio Pinheiros; abaixo, uma embarcação leva turistas enquanto, ao fundo, outra embarcação transporta cargas públicas como entulho e lixo; e, no centro, um parque fluvial urbano traz a cidade para mais perto do rio.

Fonte: Catraca Livre
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