quinta-feira, 21 de março de 2013

Projeto Educ-ação reunirá e mostrará 12 modelos para inspirar jovens, escolas, professores e pais


 Reportagem de Thaís Barros, com ilustração de Renan Vieira Andrade
Qual seria o modelo educacional inspirador para você? Uma escola construída em bambu, ou uma que ensina português e matemática por meio de games? Ou outra com uma divisão de classes por assuntos compatíveis ao invés de ser pela idade? Ou quem sabe ir para uma universidade, na qual a temática é sustentabilidade, ou empreendedorismo?
Esses e outros modelos educacionais espalhados pelo mundo estão sendo pesquisados pelos idealizadores doEduc-Ação, um grupo de quatro ativistas- educadores-deseducadores, como se autointitulam. Eduardo Shimaraha, mais conhecido como Shima, diretor de inovação e sustentabilidade do Anima Educação; o jornalista André Gravatá e as pesquisadoras Camila Piza e Carla Mayumi foram e estão em busca de práticas de ensino diversificadas e autônomas nos cinco continentes do planeta e o fim dessa jornada resultará no livro Volta ao Mundo em 12 escolas. Essa publicação exigiu uma pesquisa detalhada sobre inúmeras escolas e contou com a ajuda de amigos, que acreditaram na iniciativa publicada no Catarse, um site de financiamento coletivo, que conseguiu arrecadar 57 mil reais, quase 10 mil reais a mais do que precisavam. O valor solicitado, até 9 de novembro do ano passado, era de 48 mil.
A obra, escrita por André, terá como finalidade inspirar, mostrar as escolas brasileiras, jovens curiosos, pais inquietos e educadores empreendedores que é possível ensinar e aprender de outra forma. Esse livro pretende possuir uma visão pouco acadêmica, pois nenhum dos integrantes tem formação em educação e relatará as histórias vividas por cada um nas instituições. Previsto para ficar pronto no segundo semestre de 2013, contará com uma versão gratuita e disponível para download, além de compartilhar seu conteúdo em Creative Commons, ou seja, qualquer pessoa poderá copiar e colar onde quiser desde que os fins não sejam comerciais.

“Estamos querendo abrir os caminhos, mostrar outras possibilidades de se fazer educação com mais autonomia e que é possível fazer na prática uma educação inovadora. Nosso objetivo não é falar que os 12 modelos são os melhores e que a educação tradicional não funciona, ele funciona, mas não para todos. Existem pessoas que gostariam de experimentar outras práticas”, diz André. 

Quem são e como funcionam
Segundo Carla Mayumi, sete instituições foram visitadas: Politeia, de São Paulo, que segue o modelo de educação democrática; a Green School de Bali, Indonésia, uma escola toda construída em bambu com a temática sustentável; a International Youth Initiative Program (YIP -http://yip.se/) de Järna, Suécia, uma iniciativa com treinamento para liderança social com duração de um ano; Team Academy Mondragón, da Espanha, uma escola de empreendedorismo em que na primeira semana de aula os alunos devem abrir uma empresa; Schumacher College, de Totnes, Inglaterra, uma universidade voltada para a sustentabilidade; North Star, em Portland, Estados Unidos; e Riverside School, de Ahmedabad, Índia, uma escola onde o professor vai para a casa dos alunos e se dedica 33 dias a mais por ano que os demais em estudos sobre educação.

Por outro lado, faltam cinco escolas para serem percorridas. A Quest to Learn é uma delas, conhecida pelas crianças por aprenderem por meio da produção de jogos. As demais são duas instituições no Brasil e uma na África. Uma escola na Argentina ainda está sendo avaliada. Em todas as visitas, feitas durante o ano letivo, o grupo pode viver as instituições por uma semana cada e entrevistar estudantes, professores, pais e diretores, durante esse tempo.

“A gente enxergou a valorização do protagonismo, a autonomia e um grande estímulo a criatividade do aluno praticamente em todas as escolas que visitamos. Quando a Carla chegou na Green School, os alunos a mostraram e explicaram com confiança sobre a escola.”, diz Shima.

“Alguns alunos me disseram como as outras escolas são diferentes das que ele estão atualmente, pois antes eram vistos como números. Os professores mal os conheciam. Hoje são vistos como pessoas que possuem gostos, habilidades e eles se sentem especiais”, ressalta Carla Mayumi.

Segundo André, na Politeia, cada jovem decide o tema do projeto pessoal que será desenvolvido ao longo do semestre. O professor, que ouviu todas essas decisões e dialogou com eles para tentar chegar a uma decisão mais adequada, decidirá o tema do semestre. A partir daí, o tutor irá pensar como relacionar os temas individuais com os assuntos curriculares.

Para os professores desenvolverem esse tipo de trabalho, segundo o grupo do Educ-Ação, é exigida a qualificação e o aprimoramento desse profissional todos os dias. Seja como os professores na Riverside, formados em jornalismo e literatura, mas precisam reservar um tempo para estudar educação, seja na Politeia, onde o professor deve aceitar o desafio do aprendizado diário, pois ele deve estar de olho nas necessidades de cada aluno. “Acho que são os professores que estão se questionando. Aceitam que cada dia é diferente. E eles seguiram os rumos convencionais, até porque não existe uma formação diferente”, diz André.

Além da formação desse educador, o jornalista André ainda chama atenção para a lei de Diretrizes e Bases. “Essa lei permite que as escolas brasileiras sejam autônomas e criem seus próprios projetos. Portanto, já existe uma prerrogativa para que outras iniciativas surjam e ela está na lei”, afirma. Ele também conclui citando uma das professoras do YIP sobre os processos de educação que tentam reinventar as práticas tradicionais: “O importante são os princípios e não práticas, ou modelos. O mais importante é ver o princípio que está sendo exercitado e tentar fazer com que esse seja a base de uma nova iniciativa”.
 

Fonte: Senac Setor 3
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